Se fizermos uma análise alargada, o Design UX (User Experience) pode ser dividido em três componentes distintos: a aparência, a sensação e a usabilidade. Para que um produto conquiste os corações dos utilizadores e crie um lugar para si mesmo nas suas vidas, ele tem que cumprir estes três pontos.

E, embora cada designer se esforce por inovar e adicionar um toque pessoal, muitos aprendem da maneira mais difícil que o sucesso de qualquer projecto depende da sua capacidade de fazer algo familiar de uma maneira diferente. Isto porque a experiência do utilizador se sobrepõe a tudo o resto.

O desenvolvimento da tecnologia e da interactividade

Arquitectar as experiências do amanhã é tão emocionante quanto desafiador. Como designers, estamos encarregues de sonhar com produtos futuristas que se parecem e funcionam quase como aqueles que usamos hoje, enquanto, ao mesmo tempo, aspiramos criar produtos que mudem o futuro. Tecnologias como VR, voz e inteligência artificial estão muito presentes neste momento, é fundamental entregar ao utilizador uma experiência que pareça muito familiar através de um design UX excepcional.

As tecnologias que já tiveram impacto sobre todos nós são orientadas e aspiram a criar uma experiência intuitiva centrada no utilizador, para que ele sinta que a tecnologia funciona de acordo com a sua expectativa.

Vejamos, por exemplo,os bots de conversação. Para imitar o comportamento humano e fazer com que o utilizador sinta que está a interagir com outro ser humano, os robôs usam truques como indicar que estão “a escrever” ou levando um momento antes de responder para que a resposta seja mais natural. São projectados para fazer o utilizador sentir que está a falar com um ser humano.

Está a ficar cada vez mais claro que quanto mais revolucionária fôr a tecnologia, mais forte é a necessidade de design UI e UX de fácil acesso. Por mais inovadora que seja a tecnologia, ela é inútil se as pessoas não conseguirem interagir com ela de uma forma natural e imediata.

A importância do design UX e por que todo o designer deve aplicá-lo

A realidade simples é que podemos ser o designer mais criativo e ter as idéias mais inovadoras, mas se os nossos projectos forem inacessíveis, eles não serão um sucesso. UI e UX são dois lados da mesma moeda. Não há hipótese de um designer ter sucesso no atual ambiente de negócios, onde os clientes se tornaram utilizadores, sem saber como atingir e superar as expectativas do utilizador final. A experiência do utilizador provou ser a cola que transformou startups bem-sucedidas em unicórnios (Uber) e excelentes produtos em “must-haves” (Apple).

O designer deve projectar produtos para humanos

O design total da experiência do utilizador baseia-se em habilidades e perspectivas em todas as áreas de negócio, desde produtos e embalagens até marketing e serviços ao cliente. Ao criar para humanos, os designers devem ter em conta o comportamento das pessoas, as preferências, o contexto, os objetivos e as suas aspirações.

Isso significa que o designer deve envolver utilizadores reais no processo de design desde o primeiro dia. Com a abundância de ferramentas de pesquisa interativas, como testes de utilizador via vídeo ou mídias sociais, os designers não têm desculpas para ignorar as necessidades e expectativas dos futuros clientes.

Também é essencial lembrar que a experiência de utilização de um produto ou serviço é apenas uma parte da soma total; tudo, desde o branding, posicionamento, armazenamento, distribuição, loja on-line ou off-line precisa ser considerado para criar uma experiência de utilizador completa e imersiva.

Vejamos como exemplo a indústria automóvel: desde a criação de um novo modelo com o seu posicionamento de mercado, quer seja para jovens, seniores, utilizadores radicais ou pais de família, passando pelo design, nome, preço, qualidade de construção, performance tecnológica, conforto, segurança, publicidade, presença em redes sociais e midia, experiência de venda no stand, entrega final ao cliente, todo o processo, da concepção à entrega ao cliente é uma experiência UX.

Se o design UX faz sentido na indústria automóvel também deve fazer todo o sentido no design digital. A experiência UX com um novo software ou hardware começa muito antes de chegar às mãos do utilizador.

Você deve ver o quadro completo e considerar o improvável

Não ver o quadro completo, enquanto se está a trabalhar numa lista de tarefas de pequenas coisas que acabam levando todo o seu tempo é um grande problema no design. Você pode acertar ao escolher o esquema de cores certo para os seus projetos ou ao emparelhar as fontes de forma elegante, mas se os utilizadores não conseguem encontrar o seu caminho e deixam o site ou app por serem incapazes de atingir os seus objetivos, dificilmente podemos considerar isso um sucesso.

Para criar uma experiência de utilizador intuitiva, os designers devem entender o contexto em que o produto é usado e isso só pode ser alcançado ao colocar utilizadores a usar o produto. Às vezes, é necessário dar um passo atrás no projecto e assumir uma nova perspectiva para descobrir erros de análise.

O designer deve encontrar o caminho de menor resistência

É correcto pensar que levar o utilizador do ponto A ao ponto B nem sempre tem de ser em linha recta, mas certamente deve-se seguir o caminho de menor resistência. A forma como o conteúdo, os recursos e as funções de um produto são organizados tem um enorme impacto na experiência do utilizador.

Para se certificar de que a UI é impecável e corresponde às expectativas dos utilizadores, os designers podem realizar exercícios como classificação com cartões, criar mapas de arquitectura, diagramas de fluxo de tarefas e wireframing. Muito antes de começar a pensar em imagens e gráficos, deve-se garantir que os projetos propostos sejam fáceis de navegar e entender.

O designer pode ajudar as pessoas e transformar as suas vidas

Muitas vezes as pessoas pensam que o design apenas se preocupa com a aparência das coisas. Mas é muito mais poderoso do que isso. Aqueles que dominam o design UI/UX e são capazes de construir o seu trabalho sobre os princípios da psicologia do consumidor, podem e mudam a vida das pessoas para melhor.

Se se der uma olhadela na nova onda de produtos que influenciam o comportamento das pessoas e as suas rotinas diárias, torna-se claro que os designers realmente têm o poder de formar novos hábitos ou mudar hábitos já existentes. De encorajar as pessoas a fazer mais exercício (Fitbit ou Apple Watch), ajudar as pessoas a assumir o controle das suas finanças (Plum, PocketGuard ou Mint), até a organizar a sua vida de forma mais eficaz (Evernote, Mailbox, Todoist, etc.). Um bom design pode ajudar as pessoas a agir e alcançar metas específicas eliminando problemas.

Conclusão

A Forrester Research lançou recentemente um relatório que demonstra que os interfaces de utilizador que oferecem qualidade acima das expectativas podem aumentar as taxas de conversão até 200%, enquanto que o design UX de alta qualidade pode aumentar as taxas de conversão até 400%.

Não é surpresa nenhuma que as empresas em todo o mundo estejam a recrutar designers com competências de design UX, e a incentivar as suas próprias equipes de design a mergulhar mais aprofundadamente no conhecimento UX. Para criar experiências de utilizador melhores e mais inovadoras, as empresas devem abraçar a tendência e fazer com que o utilizador seja a sua grande prioridade. Naturalmente, designers com competências e know-how adequados são agora alguns dos talentos mais procurados.