Não vamos dar uma aula de história sobre design UX.

Vamos apenas lembrar que design UX não é um termo que apareceu depois de 1995 com a explosão do digital.

Embora muitos pensem que UX é um termo ligado ao design de sites e app’s, isso não é exactamente verdade.

Podemos detectar experiências de UX em 1450 pelas mãos de Leonardo Da Vinci. Mas já lá vamos.

Usando uma analogia de que gostamos muito com a indústria automóvel. pense na última vez que comprou um automóvel.

Que modelo era ?

O que o fez escolher esse modelo específico ? Pesquisou informação na net ? Foi ao site do fabricante ? Viu vídeos de avaliações de profissionais e outros consumidores ? Qual foi a sua primeira impressão quando esteve ao lado do seu futuro carro ? Como foi a sua conversa com o vendedor ? Foram-lhe explicadas todas as questões técnicas ? Fez um test-drive ? Quantos dias demoraram para lhe entregar o carro ? Que tal o consumo ? E a experiência de condução, como foi ? O espaço na bagageira é suficiente para as suas necessidades diárias ? Voltaria a comprar outro carro do mesmo fabricante ?

As suas respostas a todas estas questões, englobam a sua experiência UX (experiência de utilizador/consumidor).

Como vê, neste caso, UX não tem nada a ver com um serviço ou produto digital ou tecnológico. Embora a tecnologia digital esteja cada vez mais presente na indústria automóvel.

Hoje, o UX tornou-se uma disciplina de design importante que continua a crescer e evoluir. Mas a sua história multidisciplinar pode ser seguida para trás até ao Renascimento – se não antes.

Para pensar sobre onde a prática do design de experiência do utilizador nos levará a seguir, vamos dar uma olhadela em alguns dos principais eventos da sua evolução.

O “Pesadelo na cozinha” de Leonardo da Vinci (1430)

O duque de Milão contratou Leonardo Da Vinci para projectar uma cozinha que serviria de suporte para um enorme evento.

O grande mestre encarou a encomenda com o seu tradicional espírito inventivo. Naquele que é considerado um dos primeiros usos de tecnologia, centenas da anos antes da revolução industrial, Da Vinci projectou um sistema de correias transportadoras para levar os alimentos aos preparadores da mega refeição, com o objectivo de melhorar a sua rapidez e performance. Consta que inventou também o primeiro sistema de extintor de incêndios (sprinklers) como medida de segurança.

Embora o sistema de correias transportadoras não tivesse funcionado muito bem e o sistema de incêndio tenha estragado alguns alimentos, é uma história que vai à origem das práticas de design UX.

O Taylorismo e a revolução industrial (início dos anos 1900)

Frederick Winslow Taylor, engenheiro mecânico e um dos primeiros consultores de gestão, é o autor do livro “The Principles of Scientific Management”, um estudo amplamente influente sobre engenharia eficiente. Junto com as técnicas pioneiras de produção em massa de Henry Ford, Taylor e seus apoiantes moldaram a visão inicial de quais deveriam ser as interações entre os trabalhadores e as suas ferramentas.

A Toyota e a humanização do sistema de produção (1948)

Tanto a Ford como a Toyota davam grande importância à eficiência da engenharia na linha de produção. A opinião dos trabalhadores era considerada tão importante como a tecnologia de ponta usada na época.

O enorme sucesso da Toyota deve-se em grande parte aos esforços da existência de maior envolvência entre trabalhadores e tecnologia na linha de montagem.

Designing for People (1955)

Henry Dreyfuss, um designer industrial americano, escreveu o livro, hoje um clássico,  “Designing for People”.

Nele, ele escreve:

Quando o ponto de contato entre o produto e as pessoas se torna um ponto de fricção, o designer industrial falhou.

Por outro lado, se as pessoas se sentem mais seguras, mais confortáveis, mais ansiosas para comprar, mais eficientes – ou simplesmente mais felizes – pelo contacto com o produto, o designer conseguiu.

Esses princípios, que incluem o conceito de prazer invocados hoje, só se tornaram mais relevantes à medida que os pontos de contato entre produto e utilizador aumentaram.

Disney e a importância da felicidade (1966)

Num anúncio muito prévio sobre o que mais tarde se tornaria a Disney World, Walt Disney descreveu o projeto como “… permanentemente no estado de se tornar um local onde a tecnologia mais recente deve ser usada para melhorar a vida das pessoas”.

O uso imaginativo da tecnologia para criar felicidade nas pessoas, continua a inspirar designers de experiência de utilizador até aos dias de hoje.

PARC e o design de computadores pessoais (1970)

O famoso braço de pesquisa da Xerox, o PARC, deu forma e função ao design de computadores para uso humano. Bob Taylor, psicólogo e engenheiro, liderou a sua equipe na construção de algumas das mais importantes e duradouras ferramentas de interação homem-computador, incluindo o interface gráfico de utilizador (GUI) e o rato.

Don Norman, o primeiro profissional de UX (1995)

Engenheiro elétrico de formação e cientista cognitivo de profissão, Don Norman juntou-se à Apple para ajudar com a pesquisa e o design da sua próxima linha de produtos centrados no ser humano. Ele pediu para ser chamado de “User Experience Architect”, iniciando o primeiro uso do termo num título profissional.

Nessa época, Don Norman também escreveu seu livro clássico, “The Design of Everyday Things” , que defendeu o design para usabilidade e funcionalidade em vez de estética. Continua sendo extremamente influente para designers hoje.

O iPhone (2007)

Steve Jobs revelou o iPhone no MacWorld 2007, chamando-o de “produto para crianças” onde prometeu que seria mais fácil de usar do que qualquer outro smartphone no mercado. Não só cumpriu a sua promessa, como mudou a paisagem de dispositivos móveis para sempre, catapultando a Apple para a sua posição atual, sendo hoje uma das empresas mais bem sucedidas do mundo.

O gênio do iPhone original, é sem dúvida, a sua fusão de hardware e software superior fornecendo conectividade revolucionária através de uma tela sensível ao toque, tornando os teclados físicos de outros telefones obsoletos. Dito de uma maneira mais simples, proporcionou uma experiência de utilizador muito superior à de qualquer outro telefone seu contemporâneo.

E isso, inadvertidamente, levou ao foco atual da empresa centrado na experiência do utilizador. Se a decisão da Apple de oferecer excelentes experiências de utilizador era garantir o sucesso da empresa no mercado assim como elogios críticos, conseguiu.

O futuro da experiência de utilizador

Cada grande marco na evolução da UX envolveu uma interação entre tecnologia e seres humanos. À medida que a tecnologia e a Internet continuam a entranhar-se nas nossas vidas, podemos esperar que o UX continue evoluindo. Isso revelará a necessidade de habilidades cada vez mais especializadas na prática multidisciplinar do UX.

A Internet não está apenas confinada aos nossos desktops, laptops ou smartphones. Wearables e até mesmo implantes mantêm-nos num estado de comunicação constante e permanente. Isso apresenta oportunidades para os profissionais de UX projectarem interações que transcendam fatores formais, com o objetivo final de melhorar a vida das pessoas.